"Também chorei, Chiquinho"

Certo dia um menino aproveitou-se do sono da madrugada e foi furtar um armazém. Ficou encantado com aquele paraíso de bolachas recheadas e refrigerantes que comeu com tanta vontade que dormiu lá mesmo, sendo flagrado abraçando guloseimas coloridas.

Hoje, aproveitando-se da aridez do sol e das cicatrizes de sua pele, o mesmo menino dispara a correr para alcançar o horizonte dos seus sonhos e, a cada corrida que vence, pode, enfim, dormir abraçado por troféus, medalhas e um riso de quem pode acreditar mais.

Chiquinho, não podia ser diferente a emoção que todos sentiram quando você ergueu a tocha olímpica. Da mesma forma que os demais, chorei dentro do teu choro, aproveitando os teus passos doloridos e heroicos para, quem sabe, também acreditar que ainda podemos correr, ainda podemos nos ultrapassar.