"Fotos de Coimbra"

Embora não faltasse deslumbre na bela arquitetura portuguesa, eram nos meus passos estrangeiros que meus olhos pousavam. Engraçado, às vezes, reconhecemo-nos melhor no anonimato.

Uma amiga reclamou-me a ausência de “selfs” lusitanas. Tentei justificar lembrando-a da minha falta de intimidade com as lentes fotográficas, mas, na verdade, era que minhas fotografias não cabiam em postais, pois elas eram fisgadas dos meus desassossegos.

Não caberia em um álbum a cantoria triste daquele músico andarilho, misturando-se com a neblina cinzenta, como se fosse um sopro de feitiçaria; nem o toque distante do sino da pequena capela, despertando-me por dentro, sussurrando dentro das asas de um anjo noturno, alertando que eu deveria me arriscar mais.

Não saberia postar as lindas confissões do poeta Antônio Franco e Tininha, das juras de amor e das “bitocas” escondidas no Miradouro de Coimbra; nem o desespero de quem pinchou um muro – “Fran quero ficar” – suportando as dúvidas e as dores de quem desafia a indiferença da escadaria com salto alto.

Entretanto, mesmo sem fotos, Coimbra me deu um delicado caminho cheio de belos ladrilhos que ainda estão grudados em mim. Talvez, por isso, o verso de Fernando Pessoa seja tão certeiro quando diz que não precisamos de esperança, mas de rodas.