"Encontrei Joana"

Foi quando o amável poeta António Franco apresentava-me postais preciosos de Coimbra, na Feira de Velharias, que encontrei Joana. No meio de Tereza, Ivone, Patrícia e Bruna, dentre outras, lá estava um delicado pires de porcelana com seu nome, enchendo meus olhos de encanto e saudade.

No entanto, confesso que encontrei Joana desde os meus primeiros passos em Portugal. Mesmo sentindo o pasmo da beleza das capelas, praças, estátuas e torres, mesmo com um inverno gelando meu corpo, era a lembrança do seu riso cheio de ternura que me ofuscava e aquecia.

Escrevo esta crônica em um final de tarde na calçada de um elegante café. É um domingo triste, a um pesar no voo das pombas. O sol apareceu numa fresta de azul esquecida no céu, tocando-me, por alguns minutos, minha mão vazia. Pela primeira vez tive a sensação que descobria o calor lusitano. Engano meu, era um suspiro quente que atravessava o Atlântico, eram os olhos girassóis de Joana, brotando com vigor dentro de mim.