"A prece"

Se eu cerrar os céus, e não houver chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; e se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra (2 Crônicas 7. 13-15).

 

É com esse trecho bíblico que a secretária que trabalha em casa me alerta a necessidade de sermos servos de Deus e seguir a sua vontade, abdicando nossos desejos.

Na roça do Covão, ouço um ranger distante de enxada, é o Toinho arando a terra para plantar milho e abacaxi, agradecendo a Deus pela chuva que apareceu em boa hora.

Ainda no sítio, invisto em um belo caminho de pedra para encontrar uma pequena cachoeira. No alto do vale, entrego-me nu a correnteza e deixo desaguar em mim a esperança de um Deus sem rancor e que compreenda as querências que vadiam dentro dos meus olhos.

A cachoeira revelou-me um Deus tão bonito que também achei oportuno agradecê-lo. Corri na direção de um cupim partido ao meio, fazendo-o de oratório. Rindo mais do que lamentando, orei para a grandeza divina que não ocupa seu tempo com secas, gafanhotos ou pestes.

Caprichei tanto na prece que acendi uma vela e brinquei de gudes ao redor, acreditando em um Senhor que não precisa que ninguém se curve. Isso mesmo, quando fecho os olhos e penso em um Deus que nos fez a sua semelhança, vejo-o com joelhos encardidos de brincar belas meninices, cultivando a inocência florida de sua própria criação.